A indústria sucroalcooleira necessita de materiais cada vez mais resistentes aos desgastes por abrasão, erosão e pelo contato metal-metal. Uma das formas encontradas para se melhorar o desempenho de certos componentes submetidos a estes tipos de desgastes é a aplicação de camadas superficiais com materiais mais resistentes. A utilização de revestimentos sobre componentes ou produtos metálicos, também conhecidos como engenharia e revestimento ou surface engineering, está crescendo acentuadamente devido ao alto custo dos materiais estruturais avançados e aos crescentes requisitos de ciclo de vida dos sistemas de alto desempenho, segundo os autores Lima e Trevizan em seu livro Aspersão Térmica: Fundamentos e Aplicações.
Devido à competitividade do mercado sucroalcooleiro e a suscetibilidade do segmento às paradas das fábricas por causa de chuvas, faz-se cada vez mais necessário obter um tempo de aproveitamento industrial alto, exigindo assim a otimização das atividades de manutenção. Isto tem levado as usinas a investir em técnicas de manutenção e em materiais melhores para suportarem o agressivo desgaste encontrado em várias etapas do processo de fabricação de açúcar e etanol.
Algumas usinas veem utilizando o processo de metalização em pentes de moenda, com o objetivo de diminuir o número de substituições deste componente em safra. O material a ser utilizado como revestimento deve ser escolhido de acordo coma a natureza do desgaste na qual a peça está submetida em trabalho.
Durante a passagem da cana desfibrada (composta por fibra, caldo, impurezas minerais e vegetais) pelos ternos de moenda o colchão de bagaço desliza sobre a superfície superior do pente de saída e sobre a superfície inferior do pente superior – classificando assim o desgaste provocado como abrasivo de baixa tensão. É nesta região que o metal é desgastado gradualmente pela ação de pequenas partículas abrasivas, produzindo em sua superfície um raiado, ou polido, resultando no sulcamento na superfície.
Na metalização de pentes algumas usinas têm aplicado na superfície dos dentes ligas especiais a base de: Ni e Cr (resistência ao desgaste por atrito e corrosão), Ni e Cr com adição de carbonetos de Tungstênio (resistência a abrasão e oxidação).
Quanto à aplicação, hoje se encontram no mercado várias empresas especializadas, embora não seja uma aplicação complexa, a metalização de pentes requer profissional treinado e alguns cuidados, é muito importante para usina, ao optar pela metalização informar ao fabricante do pente para que seja deixado um rebaixo mínimo a ser compensado pela camada metalizada de modo a não ter surpresas desagradáveis ao longo da safra, como dificuldade de ajustar pentes e desgaste prematuro das camisas de moenda, e durante a aplicação levar em conta a pequena porção da ponta dos dentes que é necessária sofrer desgaste durante a regulagem do mesmo.
A utilização da aspersão térmica em pentes de moenda tem apresentado resultados positivos quanto à diminuição de substituições dos componentes, mas é importante saber que a vida útil de um pente, seja metalizado ou não, dependerá fortemente da quantidade de impureza mineral contida na cana, do tipo de fixação do pente (fixo ou oscilante), sua preparação e principalmente de sua regulagem em trabalho.
Pedro Vitor Pantoja de Almeida
Engenheiro Mecânico

